---------- Forwarded message ---------- From: Carolina Rossini <> Date: Fri, 21 May 2010 15:32:58 -0700 Subject: [sociedade-civil] "financiamento semente" To: rea-lista@googlegroups.com, Lista da sociedade civil para discutir a reforma da lei de direitos autorais sociedade-civil@lists.gpopai.org, Lista LDA sociedade-civil@gpopai.org
Ni!
On 05/21/2010 09:28 PM, Everton Zanella Alvarenga wrote:
---------- Forwarded message ---------- From: Carolina Rossini <> Date: Fri, 21 May 2010 15:32:58 -0700 Subject: [sociedade-civil] "financiamento semente" To: rea-lista@googlegroups.com, Lista da sociedade civil para discutir a reforma da lei de direitos autorais sociedade-civil@lists.gpopai.org, Lista LDA sociedade-civil@gpopai.org
Super interessante essa mensagem vazia Tom ;)
~~
Estava eu vendo esse vídeo, falando do "ser poeta" e lembrei dessa discussão do "ser artista": http://www.youtube.com/watch?v=XTHS1y2kibk&feature=related Penso que somos herdeiros dos poetas que levaram até o fim e podemos fazer jus a isso, a questão é: *como*? Se a criação artística pertence a todos (e tenho acordo com isso), fica ainda uma pergunta difícil, *como* mantém-se (comida, roupa, casa) o artista nesse nosso muno capitalista?
Em 22 de maio de 2010 13:12, bvh vh1066@terra.com.br escreveu:
Participei mto dessa discussão, em diversos grupos, ao vivo e por e-mail. Fui diretora da UBE-União Brasileira dos Escritores por 10 anos (saí em março deste ano), e em 2008-2009 o assunto ocupou candentemente os autores -- principalmente os teatrais e de cinema, mas tb os de livros e de artes visuais.
Pra mim é bem difícil debater isso, pq minha "crença" é completamente diferente da dos autores de um modo geral. E, se digo o q penso, estou de certa forma "traindo a classe". Agora, fora da diretoria, fico mais livre para dizer qq coisa...
Acho q autoria TEM de ser respeitada, crédito deve ser dado a quem inventou o q quer q seja no campo das artes-- uma sinfonia, um poema, whatever -- *MAS *não considero justo q alguém ganhe dinheiro por um dom com o qual nasceu e pelas obras q faria de qq jeito -- se não fizer, morre sufocado. E q os "artistas" q não sufocam se não produzirem sua arte queimem num inferno, se inferno existe.
Não estendo este conceito a software, por exemplo, pq é bem diferente. Desenvolver um software é "trabalho". Depende de conhecimento adquirido. Arte não deveria ser trabalho. Se 'escrevo' desde antes de saber escrever (ditava para quem soubesse), devo receber pagamento por algo q é um "dom"? Se recebi um dom q não foi dado a todos, devo ser recompensada por isso com grana? O dom em si já não é privilégio q chegue? Estou soando pretensiosa?
Todo dom pode sr usado tb para trabalho. Se faço "coaching" para um romancista, se escrevo textos para um gde empresa, isso é trabalho q tem de ser remunerado. Um compositor não deveria ser pago pelas canções q criou, mas somente pelos shows, q são trabalhosos. A criação artística? Essa pertence a todos. Ou deveria pertencer.
Enfim: o mundo precisa dos saltimbancos, os artistas pagos. Mas quem cria as obras q os saltimbancos encenam e publicam merece só o crédito. Q toda obra de arte seja de domínio público, mas com crédito sempre corretamente atribuído.
abraço!
Betty
Everton Zanella Alvarenga wrote:
---------- Forwarded message ---------- From: Carolina Rossini <> Date: Fri, 21 May 2010 15:32:58 -0700 Subject: [sociedade-civil] "financiamento semente" To: rea-lista@googlegroups.com, Lista da sociedade civil para discutir a reforma da lei de direitos autoraissociedade-civil@lists.gpopai.org sociedade-civil@lists.gpopai.org, Lista LDAsociedade-civil@gpopai.org sociedade-civil@gpopai.org
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Ni!
On 05/22/2010 01:12 PM, bvh wrote:
Não estendo este conceito a software, por exemplo, pq é bem diferente. Desenvolver um software é "trabalho". Depende de conhecimento adquirido. Arte não deveria ser trabalho. Se 'escrevo' desde antes de saber escrever (ditava para quem soubesse), devo receber pagamento por algo q é um "dom"? Se recebi um dom q não foi dado a todos, devo ser recompensada por isso com grana? O dom em si já não é privilégio q chegue? Estou soando pretensiosa?
BVH, você dá um motivo bastante peculiar para sua posição de liberdade. Não sei dizer se é esse raciocínio que motiva a maior parte do movimento de cultura livre, mas quero apenas observar que seu argumento aplica-se perfeitamente ao software e, se você não entende, é apenas porque não é uma programadora apaixonada como é uma escritora.
Programar e ver seu programa realizar a tarefa proposta com perfeição dá um tesão tão natural quanto terminar um poema emocionante ou uma escultura. O tal do "parla!".
Acontece que, em ambos os casos, o interesse da sociedade e portanto de um governo democrático não é promover aquilo que as pessoas sofrem pra fazer, mas promover a produção do que a sociedade quer, independente do executor sofrer ou ter prazer em fazê-lo.
Assim, não dá pra argumentar que apenas pela pessoa ter tesão em fazer algo que esse algo não precisa ser promovido. O que pode-se argumentar é que ele não precisa ser promovido através da proibição de seu uso quando não licenciado pelo autor.
O grande engodo é a idéia de que o autor vai produzir mais se tiver o direito de monopolizar o uso da sua obra. Ou que isso é necessário para que exista uma forma organizada de promovê-lo. Esta é a grande mentira que está por detrás do sistema de direito patrimonial do autor.
A arte, como a programação, também é um serviço que pode ser oferecido em troca de dinheiro, como o teu serviço de supervisão literária, e isso nada tem a ver com monopólios ou restrições. Da mesma forma, existe um mercado de encomendas, como existe ainda a promoção pela coletiva da cultura, com total liberdade, seja na forma de incentivos do Estado ou de uma economia da dádiva, como a que mantém a infraestrutura dos projetos Wikimedia.
As editoras, assim como as empresas de tecnologia de informação, precisam se adaptar a esse mercado de serviços e abandonar a dependência dos monopólios intelectuais que, por fatos básicos da economia de mercado, prejudicam toda a sociedade.
E os autores, despertar para sua autonomia e clamar sua liberdade, junto com as responsabilidades que essa nova realidade conduz. E conduz a todos nós, pois a qualidade de autor foi sempre uma figura de mercado, nunca uma realidade humana.
Abreijos,
ale ~~
Betty,
Minha mensagem não contestava o que disseste, portanto não estive defendendo um ponto de vista nem meus argumentos poderiam ser superiores às tuas palavras. Estava apenas apresentando alguns fatos paralelos à questão do grau de influência do poeta sobre o impulso criativo que, por assim dizer, o domina.
Contudo, agora que levantou a questão, eu não tenho tanta certeza disso, mas talvez esta lista não seja o lugar mais adequado para discutir isso. :)
Especialmente quando podemos fazê-lo no Bistrô!
http://www.sextapoetica.com.br/wiki/index.php?title=Bistr%C3%B4
(ver o tópico "Inspiração")
Um abraço,
ale ~~
On 05/25/2010 12:48 AM, bvh wrote:
Sim, pensei nos desenvolvedores de software, Ale!
Pensei, pq sei q bem q matemática é diversão -- eu tb me divirto com ela -- e quem trabalha com isso se apaixona pelo q faz... mas não tem como escapar de usar para isso conhecimento adquirido (lembrei daquele anúncio da Intel no rádio, não se vc já ouviu, em q um cara convida outro pra sair e o outro diz q vai "assim q terminar umas equações". E o telefonador pergunta: "cê tá trabalhando em pleno sábado à noite?" e o outro: "ah, não é trabalho, não... é uma coisa q tou fazendo pra mim mesmo". E aí vem aquela frase do locutor: "nossos passatempos são diferentes dos seus".)
O talento do programador é inato, claro!, mas pôr esse talento pra funcionar seria impossível "from scratch", de forma totalmente intuitiva. Não dá pra um analfabeto pegar um micro e sair "criando" do mesmo jeito q um analfabeto pode, sim, improvisar uma modinha com métrica correta e esquema de rimas perfeito desde os 4 ou 5 anos de vida, sem q tenha sido preciso q ninguém lhe ensinasse nada (enquanto os estudiosos q aprenderam na escola todas as regras de um bom poema e "decidiram" compor ficam ali pélejâno, tirando uma sílaba de cá, botando outra acolá, suando pra evitar rimas pobres -- aquelas q o outro nem faz, nunca fez, pq o ouvido dele sabe sozinho o q é bom. E isso não significa usar palavras "difíceis", mas só usar as palavras certas. As q o "djinn" lhe soprou e q ele simplesmente "psicografa".) (De certa forma, ok? Não quero envolver nada de sobrenatural nesse conceito.).
Vc defende mto bem o seu pto de vista, com argumentos sensatíssimos e mto superiores aos meus... Não me detive em analisar o q é engodo e o q não é. Não raciocinei em termos de economia de mercado nem de efeitos para a sociedade.
[Cursei Física pq coisas práticas e aplicáveis me atraem -- e tb pq naquele tempo todo adolescente queria ser astronauta ou cientista. Mas sei q nada daquilo era intuitivo pra mim: divertido, mas aprendido. Naquele tempo, "o" computador da faculdade, na USP, ocupava uma sala de 3x4 metros e era refrigerado com a água de um laguinho q ficava onde hj é o estacionamento dos fundos. Depois fiz uns cursos na IBM, tive um TK2000, um aparelho de videotexto da Telesp (alguém lembra disso? qdo a gente falava q era possível conversar com pessoas numa sala virtual ou jogar com alguém em qq lugar de São Paulo, usando esse aparelho, achavam q era mentira), depois um PC/XT do Itaú e uma impressora Rima... e por aí foi.* De modo q posso usar um micro com tanta intimidade qto a de um motorista dirigindo seu carro, e os gestos necessários para o uso dos comandos são internalizados a ponto de ser realizados inconscientemente, o raciocínio envolvido parece não ser raciocínio. Mas é... E não é natural. É aprendido. Arte é diferente. Ninguém ensina. Ela vem sozinha. E vem qdo quer. Não adianta a gente "querer" escrever um poema. Não é o dono da mão q decide se o poema vem ou não. Acho q é uma espécie de esquizofrenia... :-) Imagino q o mesmo aconteça com músicos, pintores e escultores. Mas não com matemáticos, físicos e químicos. O talento deles é inato, mas os resultados dependem de aplicar algum esforço ao q fazem, algum método aprendido -- ou inventado, se o cara for um Pitágoras. Mas há um método consciente. Poema a gente faz em alfa, é como se fosse outra pessoa fazendo. Dorme-se, acorda-se com um poema pronto, escreve-se, dorme-se de novo. É impossível fazer com o consciente ligado. Por isso eu disse q é como respirar...]
Mas enfim. O q eu queria mesmo dizer é q não pretendia participar de debate a respeito disso... e já estou debatendo!
- esses equipamentos foram doados em 2006 para o Museu da Computação e
Informática, http://www.mci.org.br/museu/doador.html
abraço aí!
Betty
Alexandre Hannud Abdo wrote:
Ni!
On 05/22/2010 01:12 PM, bvh wrote:
Não estendo este conceito a software, por exemplo, pq é bem diferente. Desenvolver um software é "trabalho". Depende de conhecimento adquirido. Arte não deveria ser trabalho. Se 'escrevo' desde antes de saber escrever (ditava para quem soubesse), devo receber pagamento por algo q é um "dom"? Se recebi um dom q não foi dado a todos, devo ser recompensada por isso com grana? O dom em si já não é privilégio q chegue? Estou soando pretensiosa?
BVH, você dá um motivo bastante peculiar para sua posição de liberdade. Não sei dizer se é esse raciocínio que motiva a maior parte do movimento de cultura livre, mas quero apenas observar que seu argumento aplica-se perfeitamente ao software e, se você não entende, é apenas porque não é uma programadora apaixonada como é uma escritora.
Programar e ver seu programa realizar a tarefa proposta com perfeição dá um tesão tão natural quanto terminar um poema emocionante ou uma escultura. O tal do "parla!".
Acontece que, em ambos os casos, o interesse da sociedade e portanto de um governo democrático não é promover aquilo que as pessoas sofrem pra fazer, mas promover a produção do que a sociedade quer, independente do executor sofrer ou ter prazer em fazê-lo.
Assim, não dá pra argumentar que apenas pela pessoa ter tesão em fazer algo que esse algo não precisa ser promovido. O que pode-se argumentar é que ele não precisa ser promovido através da proibição de seu uso quando não licenciado pelo autor.
O grande engodo é a idéia de que o autor vai produzir mais se tiver o direito de monopolizar o uso da sua obra. Ou que isso é necessário para que exista uma forma organizada de promovê-lo. Esta é a grande mentira que está por detrás do sistema de direito patrimonial do autor.
A arte, como a programação, também é um serviço que pode ser oferecido em troca de dinheiro, como o teu serviço de supervisão literária, e isso nada tem a ver com monopólios ou restrições. Da mesma forma, existe um mercado de encomendas, como existe ainda a promoção pela coletiva da cultura, com total liberdade, seja na forma de incentivos do Estado ou de uma economia da dádiva, como a que mantém a infraestrutura dos projetos Wikimedia.
As editoras, assim como as empresas de tecnologia de informação, precisam se adaptar a esse mercado de serviços e abandonar a dependência dos monopólios intelectuais que, por fatos básicos da economia de mercado, prejudicam toda a sociedade.
E os autores, despertar para sua autonomia e clamar sua liberdade, junto com as responsabilidades que essa nova realidade conduz. E conduz a todos nós, pois a qualidade de autor foi sempre uma figura de mercado, nunca uma realidade humana.
Abreijos,
ale ~~
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